A propósito dos lamentos do nosso amigo congeminações sobre as vendas ao domicílio relembrei-me de vários episódios sobre este tema.
O mais antigo remonta aos meus tempos de faculdade. O marido de uma colega minha, em determinada altura, recebia todos os sábados, por volta das dez da manhã, a visita de uma senhora de determinada religião em que esta se propunha demonstrar as excelentes virtudes da sua fé. O sujeito, que tinha uma vida profissional muito intensa, aproveitava o facto da mulher trabalhar ao sábado de manhã para dormir mais umas horas que muito necessitava.
Os toques insistentes da dita senhora que, sábado após sábado, não desistia da potencial conversão, atormentava cada vez mais quem ansiava por uma manhã de sono reparador.
Um dia tomou uma decisão drástica. Levantou-se da cama conforme tinha vindo ao mundo, abriu a porta e exclamou: Bom dia! Faça favor de dizer!
A dita senhora fugiu espavorida à vista da pecaminosa nudez e não mais importunou este sujeito.
Outro episódio que se repete pelo Natal e pela Páscoa.
São os homens do lixo a desejar Boas Festas e à espera do donativo. Costumam vir três e quatro vezes em cada época festiva: são os do lixo, os da camioneta do lixo, os dos contentores, os que lavam os contentores, os que varrem a rua e não sei mais quantos. Vêm todos em dias diferentes para não se cruzarem e não dividirem o donativo entre eles. Este ano achámos que era “mama” a mais e não fomos na conversa, até porque eles faziam má cara quando o donativo não era avultado.
A campainha toca insistente. Torna a tocar, com mais força ainda. Mais uma vez torna a tocar.
(a porta permanece fechada)
- Quem é?
- Faz favor?
- Mas quem é?
- Faz favor, pode abrir?
- Quem é?
- São os homens do lixo que vêm desejar uma Boa Páscoa!
- Ah! Muito obrigado! Uma Boa Páscoa também para vocês!
Respondemos através da porta que permanece fechada.
Vozes começam a afastar-se vociferando ordinarices que aqui não se transcrevem por este blog ser muito pudico.
Há poucos dias tocam à campainha da porta com vigor. Cerca de vinte segundos depois novo toque enérgico que se prolonga insistente. Outros vinte segundos depois fortes batidas com a mão na porta. Assustámo-nos. O meu pai já tem uma certa idade e, perante uns toques desabridos daquela intensidade, pensámos estar perante uma grave situação de emergência com ele relacionada. Poderia também ser uma qualquer questão urgente com algum vizinho do prédio.
Abrimos a porta sem indagar quem estava do lado de fora. Deparamo-nos com uma senhora que se identifica como sendo da Telecom. Questionada sobre que maneiras eram aquelas de bater à porta, reponde admirada e sorridente:
- O que é que tem de especial?
Tentando não ser mal educado, respondo não estar interessado em nada e ainda menos de pessoas com atitudes daquelas. Na verdade o que realmente me apeteceu foi atirar-lhe com a porta nas trombas.
oi!!!! curti u blog...mto da hra i diferente,,!! da hra...passa nu meu tbm bjinhussss
Afixado por: Laura em junho 23, 2004 03:10 AMahaha fartei-me de rir com o primeiro caso! Mas eu também tenho esse problema-de vez em quando aparecem-me os mormons, meninos todos bem vestidos, americanos, e u que não gosto de desprezar ninguem ,lá vou aturando e discutindo a Biblia com eles...Enfim.Às vezes tenho mesmo de explicar que não posso continuar porque tenho algo para fazer...mas é sempre uma chatice!
Afixado por: Valeria em junho 23, 2004 04:20 AMPois é! a insistência, a falta de educação, etc etc, que quase todos os dias no toca à porta.. E, fiquei a pensar, na primeira situação... Na... não seria uma boa idéia, pois não?? humm... ;) Vmar e Ana, Desejo de um excelente dia! Beijinhos aos dois!
Afixado por: Maria em junho 23, 2004 10:13 AMAté me esqueci do que ia dizer...
O que é que a primeira comentadora disse?
...sabem qual é a semelhança entre "as testemunhas de Jeová" e os "testículos"?...batem, batem, mas ficam sempre à porta...
Com toda a consideração e decoro possíveis, subscrevo-me,
Morfeu
Mas há circunstâncias que me obrigam aconselhar-me a mim próprio, controla-te Raúl, não te excedas, é sobretudo quando ao interromper-mos quem nos aborda dizendo-lhe, não vale a pena continuar porque não estou interessado, este retorquir, mas ainda não acabou de ouvir a minha explicação, aí, quase me salta a tampa e o caldo entorna.
Afixado por: congeminações em junho 23, 2004 11:44 PMcomo de facto o português é sinónimo de língua em evolução e construção, felizmente, se pode constatar, pelo que escreveu a 1ª leitora deste sempre democrático e nunca escarnicioso e maldiizente blog.
a minha pátria é a língua portuguesa, escreveu o poeta (bipolar) mais conhecido desta nossa diàspora (fernando pessoa). e não é por causa da forma como se escreve ou fala o PT que nos deixamos de entender. se assim o fosse não haveria o rap o hip hop, cultiras urbanas e poéticas tão belas, que estão a um nível de pessoa e que usam uma linguagem semelhante à de Laura.
um Jinhu.
Afixado por: Golfinho em junho 23, 2004 11:52 PM